Em plena Crista Central do Atlântico , sensivelmente a um terço do  caminho entre a costa ocidental do continente europeu e a costa oriental da  América do Norte, os  Açores correspondem  realmente ao  extremo mais ocidental da Europa. 

As  nove ilhas do arquipélago, todas de origem vulcânica,  apresentam aspectos morfológicos diversificados mas com traços geológicos comuns.  A sua origem está associada às erupções vulcânicas ocorridas quando da orogenia Alpina na Era Terciária  e que se prolongaram até à actualidade, como aconteceu com a  recente erupção dos  Capelinhos, junto à  ilha do Faial (1957-58) .

As ilhas emergem de um planalto submarino com profundidade média de 1500 m, numa zona de intensa actividade vulcânica e sísmica, que faz parte da cordilheira central do Atlântico. Nesta zona reúnem-se as placas tectónicas euro-asiática, americana (do Norte) e africana, alargando a cordilheira central do oceano no sentido da faixa tectónica Açores-Gibraltar , que é o prolongamento da cadeia alpina. Daqui surge a orientação de tendência longitudinal (NW-SE) do Arquipélago, situando-se, todavia, as duas ilhas mais ocidentais (Flores e Corvo) em plena placa americana. No outro extremo, o oriental, encontra-se a cerca de 600 km a ilha de Santa Maria, que engloba na sua composição raras formações sedimentares no arquipélago.

De uma maneira geral, o relevo dos Açores é bastante acidentado  e vigoroso: quase todas as ilhas são percorridas, na direcção E-W, por montanhas com duas vertentes (norte e sul), semeadas  de cones  vulcânicos  e retalhadas por grandes ravinas  e vales estreitos  e profundos por onde correm ribeiras tumultuosas. Os aspectos morfológicos das ilhas derivam dos tipos de erupção e do estado de erosão que sofreram. Há ilhas que assumem a forma simples de um cone (Corvo e Faial), enquanto outras se caracterizam por formas de associação entre diversos maciços vulcânicos ligados por plataformas com níveis de declive variáveis (São Miguel ) ou por formas eruptivas alinhadas ao longo de fendas (São Jorge). Noutros casos verificam-se formas mistas.

As grandes lagoas que caracterizam algumas das ilhas dos Açores são também elas uma prova viva da actividade vulcânica: situadas em cones vulcânicos, elas são depressões que resultaram do abatimento superior das crateras vulcânicas. Na ilha de S. Miguel, a das Sete Cidades, característica pelas cores azul e verde  das águas, é um dos exemplares mais representativos.

Para além das formas  de relevo tipicamente vulcânicas  ainda bem conservadas (como são os cones e as  caldeiras), e das recentes erupções  (Capelinhos, 1957-58)  que atestam a existência de um vulcanismo  activo, existem também as manifestações vulcânicas secundárias (fumarolas) bastante significativas em algumas ilhas.

Dada a sua origem, as rochas que predominantes nas ilhas dos Açores são sobretudo vulcânicas: basalto, cinzas vulcânicas, mais ou menos consolidadas, tufos, pedras pomes.

O encontro das terras com o mar dá-se frequentemente através de declives muito acentuados, sendo a agressividade das costas cortada apenas por algumas praias. A erosão, particularmente pela acção das vagas, tem talhado nas costas das ilhas arribas que atingem por vezes 500 m de altura. Com os pequenos fragmentos da erosão que são transportados para o interior das baías abrigadas por promontórios formaram-se as praias existentes.

A costa alta e escarpada, dá por vezes lugar às , “fajãs” que se formam entre as arribas  e  o mar, por acumulação  na base das arribas, dos sedimentos transportados pelos cursos de água. As fajãs são  áreas cujo solo fértil constitui um importante atractivo à fixação das populações. A agricultura e a pecuária são de facto importantes  actividades económicas da população das ilhas dos Açores.  

Os  Açores têm  um clima temperado marítimo. A latitude, a insularidade, o relevo e a corrente quente do golfo do México  são factores cuja acção conjugada determina as características  climáticas do arquipélago, em particular o seu regime termo-pluviométrico.  A variabilidade dos estados do tempo está também associada às oscilações em latitude do Anticiclone dos Açores  e das perturbações da frente polar . 

As chuvas  regularmente distribuídas ao longo do ano mas são particularmente abundantes no Outono e no Inverno (quando o Anticiclone dos Açores desce mais em latitude deixando o arquipélago sob a influência das perturbações da frente polar). O período estival  é, nos Açores, bastante curto (ou inexistente nas ilhas mais ocidentais que ficam também mais a Norte) e corresponde aos meses de Julho e Agosto, devido à posição do  Anticiclone dos Açores.   

Regime termopluviométrico de Ponta Delgada 
(Grupo Oriental)
Regime termopluviométrico de 
Stª Cruz das Flores 
(Grupo Ocidental)

 

O relevo (altitude e orientação) condicionam a distribuição dos elementos climáticos em cada uma das ilhas, como o mostra  o mapa da  distribuição das precipitações  na ilha de S. Miguel.

As  amplitudes térmicas são em geral baixas (insularidade) e a temperatura média anual também bastante amena (influência da corrente quente do Golfo)

"O arquipélago dos Açores foi introduzido na história pelos portugueses, na época das descobertas e do encontro de culturas europeias com as do novo mundo e das velhas civilizações orientais, quando novas técnicas de navegação marítima permitiram enfrentar as ondas e os ventos para além do Mare Nostrum do Mediterrâneo".

Ao longo da história de cerca de 500 anos de ocupação humana dos Açores, as actividades económicas e a organização do espaço, têm sido condicionadas pelas condições naturais das ilhas. As respostas  da população açoreana aos condicionalismos físicos  e o aproveitamento das potencialidades naturais  do arquipélago são um misto de insularidade e de aproximação às duas margens do Atlântico.  Os Açores são um território bastante marcado pela  emigração e a América do Norte tem sido o principal destino dos Açoreanos.

Em S. Miguel foi erguido um monumento ao emigrante ...

© UE/Minerva,2001