A guitarra pertence à família dos instrumentos de cordas dedilhadas e é munida de um braço. Em vez de vibrarem em todo o seu comprimento as cordas podem ser encurtadas pela pressão dos dedos da mão esquerda sobre este braço.
Em 1586, apareceu o primeiro tratado de guitarra. Diz respeito a um instrumento de 5 cordas duplas (as guitarras precedentes tinham apenas quatro e a viola seis) que se chamou, por esta época, «guitarra espanhola».
A guitarra clássica, tal como
ainda é construída nos nossos dias, está munida de seis cordas simples (sem dúvida
desde os últimos anos do sec. XVIII, porque Sor utiliza já a guitarra de seis cordas).
As três agudas, são de tripa; as três graves de seda, envolvidas em fio de metal
(cordas fiadas); o seu acorde é, do grave ao agudo,
Mi-Lá-Ré-Sol-Si-Mi, dando ao instrumento uma extensão de três oitavas e mais uma quinta (Mi1, a Si4). O braço esta recoberto por. uma régua de madeira dura (ponto) dividida por «trastos» em dezanove «secções» correspondendo aos meios tons temperados. Pode obter-se uma grande diversidade no timbre e na expressão através da forma como se ataca a corda (com a unha ou com a polpa, mais ou menos afastado do cavalete) e segundo a utilização de artifícios, tais como notas ligadas, trilos, vibratos, trémulos, sons HARMÓNICOS (o mesmo principio que para os outros instrumentos de corda), etc. O jogo melódico e contrapontístico da guitarra clássica qualifica-se de «ponteado», por oposição ao jogo «rasgado» (acordes secamente arpejados nos dois sentidos), reservado geralmente a música popular.
O mais ilustre guitarrista de todos os tempos (exceptuando Paganini. que passa por ter tocado este instrumento tão bem como o violino) foi Fernando Sor (1778-1839), autor de admiráveis composições para este instrumento. Foi seguido de D. Aguado y Garcia (apreciado por Bellini, Paganini e Rossini), aluno dum tal Miguei Garcia que recebeu ordens sob o nome de Padre Basilio, M. Giuliani (cujo talento causou admiração a Beethoven), e mais recentemente, F. Tárrega. M. Llobet, A. Segóvia.
As guitarras (nomeadamente. Stradivarius. fez duas), só apresentam um interesse de colecção. A grande manufactura e representada principalmente por A. de Torres (segunda metade do sec. XIX).
(CANDÉ, Roland de: A Música - linguagem, estrutura e instrumentos, Lisboa, Edições 70, 1983)