Energias Renováveis
“Será possível que as energias renováveis ultrapassem os combustíveis fósseis em termos de fonte primária de energia até ao final do século XXI?”
As Energias Renováveis – ER – serão abordadas numa perspectiva de um conhecimento integrador na problemática das Alterações Climáticas.
Os bens naturais são as fontes de riqueza materiais que o homem dispõe para satisfazer as suas necessidades sempre em mudança, e são avaliados de acordo com as utilizações que as sociedades fazem deles. O homem procura tirar deles as maiores vantagens e, com o seu engenho – tecnologia – aproveitá-los o melhor possível, tornando-os recursos. Se, por um lado, é indubitável que os recursos naturais têm uma importância vital em si mesmos, por outro, devem ser considerados como uma “recompensa” pela capacidade do homem os localizar, os extrair e deles usufruir. O aproveitamento dos recursos depende de numerosos factores, entre os quais a existência de procura, de meios de transporte adequados, do capital disponível, da qualidade e da quantidade dos próprios recursos e em especial da tecnologia que transforma os bens em recursos naturais.
A história diz-nos que conforme a evolução tecnológica e o desenvolvimento das sociedades vai surgindo a emersão de novas fontes de energia e novas formas da sua exploração. Antes da Revolução Industrial, séc. XVIII existiam as energias renováveis exploradas com tecnologias rudimentares, com a 1ª Rev. Ind., ocorreu a descoberta do carvão associado à máquina a vapor; no séc.XIX ocorre a 2ª Rev. Ind. com a descoberta dos princípios da termodinâmica, evolução dos transportes, surge o petróleo e gás natural; em meados do séc. XX, com a 2ª Guerra Mundial, surge a energia atómica, mais tarde a informática, robótica que em conjunto dão origem à 3ª Rev. Ind. nas últimas décadas do séc. XX. Actualmente, o emergir das renováveis exploradas com tecnologia sofisticada revelam indícios de nova reestruturação.
À medida que os recursos, como o petróleo, se forem tornando menos disponíveis e mais caros, o homem terá de optar cada vez mais pelos recursos energéticos alternativos e renováveis, como a água, o vento, as ondas do mar, a energia solar, recursos estes inesgotáveis.
2. O que são as Energias Renováveis?
Entende-se por: “Energias renováveis são todas aquelas formas de energia cuja taxa de utilização é inferior à sua taxa de renovação. As suas fontes podem ter origem terrestre (energia geotérmica) gravitacional (energia das marés) e solar (energia armazenada na biomassa, energia de radiação solar, energia hidráulica, energia térmica oceânica e energia cinética do vento e das ondas). Também são consideradas fontes de energia renovável os resíduos agrícolas, urbanos e industriais.” - http://www.dge.pt/main.asp?IdTemas=7&IdSubTemas=1&IdConteudos=1014
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A energia irradiada pelo sol é a fonte de quase toda energia disponível ao homem, seja como energia vital ou força motriz e de transformação na execução de tarefas quotidianas. No nosso ecossistema, através de diversos ciclos naturais, a radiação solar é convertida em diversos outros tipo de energia. Mas, corriqueiramente, o termo "Energia Solar" só é utilizado para expressar as formas de aproveitamento da radiação solar directa. As formas de aproveitamento indirecto, que se valem do aproveitamento de energia produzida em sistemas, processos ou fenómenos que têm a radiação solar como fonte primária, geralmente são referidas de forma específica .http://petamo1.sites.uol.com.br/energiasolar.htm |

Os processos ou tecnologias de conversão visam transformar um tipo de energia num outro. As tecnologias de conversão mais conhecidas são as seguintes:
As formas ou manifestações mais conhecidas são: a energia solar, a energia eólica, a biomassa e a hidroenergia. As principais características por tipo são:
| Energia Solar –
energia da radiação solar directa, que pode ser aproveitada de diversas formas
através de diversos tipos de conversão, permitindo seu uso em aplicações
térmicas em geral, obtenção de força motriz diversa, obtenção de electricidade
e energia química.
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A
forma mais democrática e abundante de energia é a radiação solar.
Entretanto, algumas características, como a irregularidade e a baixa
densidade de energia, limitam as possibilidades de aproveitamento directo
dessa energia.
Nesse sentido, a agregação com outras fontes (sistemas híbridos) possibilita melhorar algumas características de operação, principalmente o factor de capacidade, ampliando sensivelmente a viabilidade de utilização dessa fonte energética. http://www.dee.ufc.br/~dougbr/dout/proj_tese.htm
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Chama-se arquitectura bioclimática o estudo que visa harmonizar as construções ao clima e características locais, pensando no homem que habitará ou trabalhará nelas, e tirando partido da energia solar, através de correntes convectivas naturais e de microclimas criados por vegetação apropriada. É a adopção de soluções arquitectónicas e urbanísticas adaptadas às condições específicas (clima e hábitos de consumo) de cada lugar, utilizando, para isso, a energia que pode ser directamente obtida das condições locais.
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Energia
Eólica - energia cinética das massas de ar provocadas pelo aquecimento
desigual na superfície do planeta. Além da radiação solar também têm
participação na sua formação fenómenos geofísicos como: rotação da terra, marés
atmosféricas e outros. |
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Biomassa - a energia química, produzida pelas plantas na forma de hidratos de carbono através da fotossíntese - processo que utiliza a radiação solar como fonte energética - é distribuída e armazenada nos corpos dos seres vivos graças a grande cadeia alimentar, onde a base primária são os vegetais. Plantas, animais e seus derivados são biomassa. Sua utilização como combustível pode ser feita das suas formas primárias ou derivados: madeira bruta, resíduos florestais, excrementos animais, carvão vegetal, álcool, óleos animal ou vegetal, gaseificação de madeira, biogás etc. |
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Hidroenergia - É a energia cinética das massas de água dos rios, que fluem de altitudes elevadas para os mares e oceanos graças a força gravitacional. Este fluxo é alimentado em ciclo reverso graças a evaporação da água, elevação e transporte do vapor em forma de nuvens, naturalmente realizados pela radiação solar e pelos ventos. A fase se completa com a precipitação das chuvas nos locais de maior altitude. Sua utilização é bastante antiga e uma das formas mais primitiva é o monjolo e a roda dágua. A hidroenergia também pode ser vista como forma de energia potencial; volume de água armazenada nas barragens rio acima. As grandes hidroeléctricas se valem das barragens para compensar as variações sazonais do fluxo dos rios e, através do controle por comportas, permitir modulação da potência instantânea gerada nas turbinas. |
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Energia dos Oceanos - A conversão de energia a partir das
ondas apresenta claras semelhanças com a eólica. Dado que as ondas são
produzidas pela acção do vento, os dois recursos apresentam idêntica
irregularidade e variação sazonal. |
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Energia Geotermal Existe uma grande quantidade de energia sob a forma térmica contida no interior do planeta. Está é transmitida para a crosta terrestre sobretudo por condução. Esta representa uma potência de 10.000 vezes da energia consumida por ano no mundo actualmente. (http://www.energiasrenovaveis.com/html/energias/geo_fonte.asp) |
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3. Evolução da oferta e da procura das energias renováveis – ER
A procura das energias renováveis evoluiu ao longo do tempo, segundo a evolução tecnológica das sociedades. A biomassa (lenha), principal fonte energética da sociedade agrícola tradicional, vê diminuído o seu consumo/procura, a partir do séc. XVIII, substituída pelo carvão com a Rev. Ind., no dito 1º mundo; no séc. XIX com a descoberta do petróleo e gás natural, essa diminuição acentua-se, dando lugar mais tarde (meados do séc.XX) à dominância do petróleo como fonte energética. A partir das crises petrolíferas nas décadas de 70 e 80 (séc. XX), emergem novas técnicas de exploração das energias renováveis com desenvolvimento continuado projectado para o futuro. A percentagem das novas renováveis actualmente ainda é baixa, mas muito importante, prevendo-se um aumento gradual, de forma que os cenários de futuro, apontam a sua dominância a partir de 2050 (ver gráficos de cenários mais à frente).
Actualmente, estima-se que aproximadamente um terço da população mundial não tem acesso à energia eléctrica e, mesmo em sociedades mais industrializadas, com padrão de vida melhor, ainda coexistem formas rudimentares de transformação e uso da energia (renováveis).
A produção mundial de energia, em 1997, segundo os dados da Agência
Internacional de Energia, somou o equivalente a 9,5 mil megatoneladas de
petróleo, dos quais 86,2% são provenientes de fontes não renováveis – carvão,
gás natural e petróleo. As reservas conhecidas de petróleo devem durar apenas
mais 75 anos; as de gás natural, um pouco mais de 100 anos; as reservas de
carvão, aproximadamente 200 anos. Embora tenham uso crescente, as fontes
renováveis, aquelas que podem se renovar espontaneamente (água, sol e vento) ou
por medidas de conservação (vegetação) – são responsáveis por apenas 13,8% do
total produzido. (Id.).
Principais Fontes de Energia Primária
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Fonte |
Parte do Total Produzido (%) |
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Petróleo |
35,8 |
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Carvão |
23,7 |
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Gás natural |
20,1 |
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Energia nuclear |
6,6 |
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Outros* |
13,8 |
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*
Combustíveis renováveis e de resíduos11,1%), energia hidroelétrica
(2,3%), ( geotérmica, solar e eólica (0,4%).
Fonte: Agência Internacional de Energia, dados de 1997 |
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Pelo seu menor teor de poluição, o gás natural apresenta actualmente o maior crescimento de consumo entre os combustíveis fósseis. Embora a queima do gás, como o carvão e o petróleo, resulte em dióxido de carbono, prejudicial à camada de ozono, o seu percentual poluente é menor.
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A População mundial e as necessidades
energéticas Com base em estimativas razoáveis, a população mundial atingirá 10 biliões de pessoas em meados do século XXI. Actualmente a população mundial ronda os 6 biliões de habitantes, sendo que as maiores taxas de crescimento se localizam nos países em vias de desenvolvimento, pois estes encontram-se na fase de transição do modelo demográfico, ver gráfico que se segue (Modelo de evolução demográfica). http://www.cfn.ist.utl.pt/pt/expofusao_1.html |
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Em 1990, o consumo de energia primária por habitante e por ano era de 2.2x1011 joule ou 5.1 tep (toneladas de equivalente em petróleo: 4.4x1010 J = 12000 KWh) nos países industrializados, e dez vezes menos nos países em vias de desenvolvimento. De acordo com os cenários escolhidos para a procura energética, o consumo de energia primária mundial poderá atingir duas a três vezes o consumo actual Portanto, prevê-se que os maiores aumentos na procura de energia no futuro sejam dos países em vias de desenvolvimento, devido a um maior crescimento demográfico e crescimento e desenvolvimento económico; enquanto nos países industrializados, com grandes quantidades de consumo, se assiste a um iniciar de uma gestão de eficiência e poupança energética relacionada com uma evolução técnica, (ex: Estudos já demonstraram, que combinações engenhosas de materiais leves com inovações em propulsão e aerodinâmica poderiam reduzir o uso do petróleo em carros, camiões e aviões em dois terços sem comprometer conforto, segurança, desempenho ou acessibilidade. |
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Modelo de evolução demográfica
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Em termos de física, os carros teriam que reduzir drasticamente de peso, pois novas ligas metálicas e compósitos de polímeros avançados, podem reduzir a massa do carro sem sacrificar a resistência a impactos. Compósitos de carbono competitivos como os de aço, permitiriam a utilização de motores mais pequenos e baratos e não precisariam de funilaria e pintura; essas economias compensariam o custo mais alto dos materiais de compósitos de carbono). |
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As fontes de energia capazes de corresponder de forma substancial a esta procura são:
Mesmo se a fracção das necessidades energéticas que possa ser coberta pelas energias renováveis aumentar como se prevê, os peritos estão de acordo que elas não poderão satisfazer no entanto a totalidade das necessidades mundiais. Torna-se pois necessário desenvolver novas opções energéticas, optimizadas em termos de segurança, de impacto sobre o meio ambiente e de economia. A fusão termonuclear controlada é uma dessas raras opções.
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4. Disponibilidades e problemáticas das várias energias renováveis
Segundo Wolfgang Palz no seu livro Energia Solar e Fontes Alternativas, a energia solar recebida pela terra a cada ano é dez vezes superior a contida em toda a reserva de combustíveis fósseis. Mas, actualmente a maior parte da energia utilizada pela humanidade provém de combustíveis fósseis - Petróleo, carvão mineral, xisto etc. A vida moderna tem sido movida a custa de recursos esgotáveis que levaram milhões de anos para se formar. O uso desses combustíveis em larga escala tem mudado substancialmente a composição da atmosfera e o balanço térmico do Planeta provocando o aquecimento global, degelo nos pólos, chuvas ácidas e envenenamento da atmosfera e todo meio-ambiente. As previsões dos efeitos decorrentes para um futuro próximo, são catastróficas. Alternativas como a energia nuclear, que eram apontadas como solução definitiva, já mostraram que só podem piorar a situação. Com certeza, ou buscamos soluções limpas e ambientalmente correctas ou seremos obrigados a mudar nossos hábitos e costumes de maneira traumática.
As reservas conhecidas de petróleo devem durar apenas mais 75 anos; as de gás natural, um pouco mais de 100 anos; as reservas de carvão, aproximadamente 200 anos.
A utilização das energias renováveis em
substituição aos combustíveis fósseis é uma direcção viável e vantajosa. Pois,
além de serem praticamente
inesgotáveis, as energias renováveis podem apresentar impacto ambiental
muito baixo ou quase nulo, sem afectar o balanço térmico ou composição
atmosférica do planeta.
Graças aos diversos tipos de manifestação, disponibilidade
de larga abrangência geográfica e variadas possibilidades de conversão, as
renováveis são bastante próprias para geração distribuída e ou autónoma. O
desenvolvimento das tecnologias para o aproveitamento das renováveis poderão
beneficiar comunidades rurais e regiões afastadas bem como a produção agrícola
através da autonomia energética e consequente melhoria global da qualidade de
vida dos habitantes.
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No entanto, a solar será mais disponível nas regiões tropicais e de transição, sub-tropicais, mediterrânicas, pela maior radiação solar, maior insolação e menor nebulosidade. Zonas tropicais, soluções tropicalizantes Imagem: www.pntic.mec.es
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E, embora todas as energias tenham os seus condicionalismos de localização, podem funcionar em complementaridade umas com as outras e com as fósseis que são finitos e mais concentradas geograficamente. |
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Exemplo de um sistema simples autónomo, não ligado à rede |
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Exemplo de um sistema híbrido |
Fonte: http://www.cresesb.cepel.br/tutorial/solar/apstenergiasolar.htm#item-62 |
Sistemas isolados, autónomos (sem ligação à rede) em geral, utiliza-se alguma forma de armazenamento de energia. Este armazenamento pode ser feito através de baterias, quando se deseja utilizar aparelhos eléctricos ou armazena-se na forma de energia gravitacional quando se bombeia água para tanques em sistemas de abastecimento. Alguns sistemas isolados não necessitam de armazenamento, o que é o caso da irrigação onde toda a água bombeada é directamente consumida ou estocadas em reservatórios.
Actualmente, os sistemas fotovoltaicos vêm sendo utilizados em instalações remotas possibilitando vários projectos sociais, agropastoris, de irrigação e comunicações. As facilidades de um sistema fotovoltaico tais como: modularidade, baixos custos de manutenção e vida útil longa, fazem com que sejam de grande importância para instalações em lugares desprovidos da rede eléctrica.
A energia solar é normalmente a forma mais barata de conseguir electricidade para os 2 biliões de pessoas que não têm acesso a ela no mundo em desenvolvimento.
Embora os painéis solares actualmente custem mais por quilowatt-hora que as turbinas de vento, eles ainda podem ser lucrativos se integrados em prédios, economizando o custo do material do telhado. Em cima de tectos de grandes prédios comerciais, células solares podem ser competitivas, mesmo sem subsídios, se combinarmos com uso eficiente que permita ao construtor do prédio revender o excesso de energia quando estiver abundante e mais cara nas tardes de sol.
O recurso
energético eólico tem tido um desenvolvimento positivo, tendo em conta um
cenário de restrição ambiental moderada.
Apesar deste potencial, existem condicionalismos em especial de circulação
atmosférica/ventos para o seu desenvolvimento, bem como problemas de ligação à
rede(
uma vez que os locais com maior potencial se encontram em locais remotos ou
servidos por redes fracas, muitas vezes o escoamento de energia só é conseguido
através da construção de novas linhas, o que eleva os custos ou até inviabiliza
as operações, sendo também problemática a gestão da atribuição dos pontos de
interligação) e de
impacte ambiental ( as principais incidências ambientais habitualmente
apontadas são o ruído, o impacto visual e a influência na fauna avícola).
A energia hídrica debate-se com condicionalismos dos
regimes hidrológicos/climáticos, ambientais e de alterações climáticas, pois
para a conversão em energia eléctrica a energia cinética da água e transformada
em energia cinética de rotação da turbina hidráulica, e esta energia mecânica da
turbina finalmente em energia eléctrica. A cada processo estará associado um
rendimento na ordem dos 80%, dependendo da tecnologia empregue.
A disponibilidade anual deste recurso depende da quantidade de água disponível
para turbinar, sendo factores determinantes a pluviosidade, o regime de
funcionamento e de elaboração (com ou sem armazenamento) e a bacia hidrográfica.
A energia da biomassa tem uma fraca produção e
utilização que se deve a uma série de constrangimentos de caris não tecnológico:
- Escassez de terra disponível para a produção das culturas fonte, criando uma
falta de matéria-prima, apesar de por vezes as culturas estarem condenadas a
ficar na terra ou a irem para o lixo por falta de qualidade, quando o potencial
energético poderia significar um lucro considerável, sobretudo evitar incêndios
florestais.
Energia das ondas: As zonas costeiras portuguesas (em especial a costa ocidental do continente e as ilhas dos Açores) têm condições naturais entre as mais favoráveis em qualquer parte do mundo para o aproveitamento da energia das ondas: recurso abundante (cerca de 25-30 kW/m média anual), plataforma continental estreita (inexistente nos Açores) (ou seja águas profundas na proximidade da costa), consumo e rede eléctrica concentrados junto à costa do continente.
No entanto
existem uma série de barreiras ao desenvolvimento deste tipo de energia
renovável:
- A passagem da fase de ensaios em laboratório para a demonstração com protótipo
em mar real é fortemente dispendiosa, requer uma longa preparação e envolve
riscos de vária ordem.
- O desenvolvimento dum sistema do tipo em questão, passando pelo projecto
construção e operação de protótipo, até ao limiar da comercialização, requer a
participação e coordenação duma equipa multidisciplinar, envolvendo empresas e
instituições de I&D. Existe pouca experiência e tradição de empreendimentos
deste tipo em Portugal.
A energia geotermal poderá vir a ter um melhor aproveitamento com a aplicação de Bombas de Calor Geotérmicas (BCG) reversíveis, que aproveitam o calor a partir de aquíferos ou das formações geológicas através de permutadores instalados no sub-solo, permitido utilizações de aquecimento e climatização, que poderá representar um potencial de 12 MWt.
Situação actual: a União Europeia possui um forte potencial no domínio das energias renováveis, que explora de forma desigual e insuficiente. Este sector, particularmente sensível às evoluções políticas, representa actualmente 6% do consumo energético interno bruto e poderá representar 7,4 a 9% em 2010.
Vantagens de se recorrer às fontes de energia renováveis:
A generalização da utilização das energias renováveis confronta-se com os seguintes obstáculos:
5. Competitividade e inovação tecnológica nas energias renováveis
Verifica-se que o ritmo de evolução da tecnologia é mais elevado do que o ajuste da reorganização da sociedade face às inovações. Pois as energias renováveis, para serem utilizadas de uma forma rentável, generalizada, competitiva com as outras energias fósseis dominantes, exigem uma reorganização de infraestruturas na forma de organização da sociedade. As energias renováveis quase que têm o dom da ubiquidade, estão distribuídas de uma forma mais equitativa a nível global; o que não acontece com as fósseis e que favoreceram o desenvolvimento dos grandes aglomerados populacionais, urbanos e industriais, ultrapassando os limites das vantagens em termos, pelo menos, de qualidade de vida.

Fonte: Grande Atlas Mundial Selecções do Reader`s Digest 1990
As renováveis são compatíveis com uma desconcentração e descentralização das várias funções inerentes aos desmesurados núcleos urbanos, e favorecem a dispersão de poderes dos que detêm ao controlo das fontes de energia fósseis.
O Livro Verde da União Europeia fixa um objectivo ambicioso: duplicar em 15 anos a contribuição das energias renováveis para o consumo energético interno bruto (ou seja, 12% em 2010), o que permitiria a criação líquida de mais de 500 000 postos de trabalho.Tal objectivo implica um envolvimento total por parte dos Estados-membros.Tal objectivo exige o reforço das políticas comunitárias:
mercado interno da energia (sistemas de créditos, harmonização fiscal, auxílios estatais, normalização);
ajudas financeiras específicas (programa ALTENER: 40 milhões de ecus para 1993-1997);
reforço da vertente das energias renováveis nos programas de investigação e desenvolvimento (programas JOULE e THERMIE);
política regional favorável à promoção destas energias, particularmente nas zonas periféricas e rurais;
política agrícola compatível, que apoie a produção e o desenvolvimento das fontes de energia sustentáveis;
Utilização dos potenciais para o desenvolvimento económico dos países da Europa Central e Oriental, dos países mediterrânicos e dos países em desenvolvimento:
“A plataforma europeia de tecnologia solar térmica foi hoje lançada oficialmente para facilitar a investigação nesta área e promover a entrada das novas tecnologias no mercado. O comissário europeu para a Energia, Andris Piebalgs, já saudou a iniciativa.”
“O sector do solar térmico pode
ter um papel importante no futuro e contribuir para o desenvolvimento de um
sistema energético europeu sustentável”, considerou hoje AndrisPiebalgs.
O comissário apelou à cooperação entre os vários agentes no mercado e no
compromisso da indústria privada para “garantir a competitividade (...) e
cumprir os objectivos da Estratégia de Lisboa”.
A energia solar térmica utiliza a radiação do Sol para produzir calor que depois
pode ser usado para aquecimento doméstico de água e climatização.·
Actualmente já existem plataformas semelhantes para a energia fotovoltaica,
hidrogénio, pilhas de combustível, biocombustíveis. O objectivo das plataformas
europeias de tecnologia é desenvolver e implementar uma visão comum para um
determinado sector ou área. Para isso, é necessário elaborar um programa de
investigação a longo prazo. “
Fonte: Publico.pt 30-05-2006 http:/www.raplus.pt/300506_3.htm
Dois exemplos – casos de aplicação/investimento em energia solar e eólica:
- Caso 1 : GE instala maior central solar do mundo em Serpa
A escolha da localização tem a ver com o facto de Serpa, no Alentejo, estar situada numa das áreas de maior exposição solar da Europa e de esta zona dispor de maiores facilidades de ligação à rede
-
Caso 2 :
A
Norte da Alemanha, na localidade de Brunsbüttel, perto de Hamburgo, a REpower já
tem em operação o seu primeiro aerogerador de 5000 kilowatts, cujo motor é
montado no topo de uma torre com mais de 120 metros de altura..
Investigação:
O primeiro reactor nuclear
experimental de fusão nuclear vai ser instalado em França, mais concretamente em
Cadarache, no sul do país, decidiram em Moscovo os parceiros do projecto ITER
(Internacional Thermonuclear Experimental Reactor).
O reactor estará concluído em 2018. Prevê-se que lá para meados do século XXI a energia nuclear de fusão possa ser comercializada e o seu consumo generalizado, em competição com as restantes energias .
A energia de fusão nuclear tem três grandes vantagens: é inesgotável, é amiga do ambiente e é segura. Diz Carlos Varandas, presidente do Centro de Fusão Nuclear, in entrevista ao DN em 25 de Junho de 2006.
Sendo assim, esta fonte de energia poderia ser também considerada renovável. Lê-se mais à frente na mesma entrevista: o hidrogénio e a fusão nuclear são as energias do futuro. Na mesma entrevista, diz Carlos Varandas: “É um facto que está a haver uma mudança em todo o mundo, e representativo disso é por exemplo o muito recente Livro Verde da Energia, lançado em Bruxelas, onde é dito claramente que é preciso desenvolver todas as formas de energia, incluindo a nuclear. Está provado que as Energias Renováveis são óptimas, embora o preço do quilowatt.hora de algumas seja caro, mas também é certo que não permitem responder às necessidades energéticas da humanidade.” . Por enquanto, com as tecnologias e organização de infraestruturas que temos.
O problema da energia é um problema global e de todos nós, tal qual é o problema das alterações climáticas, e estão intimamente relacionados entre si pela questão do CO2, relacionados com o crescimento e desenvolvimento da população bem como as inovações técnicas.
Segundo o Conselho Mundial de Energia-WEC, em três estudos de casos de cenários alternativos que foram explorados em detalhe, até 2020 e com um esboço até 2100, tendo em conta disponibilidade de reservas, procura relacionada com o desenvolvimento demográfico, tecnologias de exploração, emissões de CO2 e impacto nas alterações climáticas, prevê-se a seguinte evolução, baseada em três núcleos principais de cenários.
A – Crescimento económico elevado, aumentos no consumo de energia e melhorias na eficiência energética, com A1 na ênfase do petróleo, A2 no carvão e A3 no gás natural;
B – Caso referência, com evolução média, com B1 correspondendo a um crescimento mais forte do consumo nos países em vias de desenvolvimento;
C – Direccionado para fabricantes, políticos e outros que promovam a energia, a inovação e transferência de tecnologia no desenvolvimento do não fóssil, com C1 ênfase em melhorias de eficiência nas energias renováveis (solar longo), C2 nuclear com papel de expansão
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http://www.worldenergy.org/wec-geis/edc/scenario.asp
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Apesar da sua disponibilidade como recurso energético fóssil, o carvão é dos mais poluentes, o que emite maiores quantidades de CO2, contribuindo com o maior aumento de efeito de estufa de origem antropogénica, maiores aumentos de temperatura nos cenários de alterações climáticas. Se contabilizarmos os custos dos danos ambientais das energias fósseis, na alternativa às energias renováveis, concerteza que ainda teríamos a ganhar neste balanço e as infra-estruturas das renováveis não teriam um preço tão elevado, como é referido. Os custos de externalidades, tais como construção de centrais nucleares de fissão, tempo de construção, investigação, segurança, manutenção, desmantelamento (sobretudo as de 1ª geração), impactos ambientais/riscos; nas fósseis os jogos de poder e conflitos na geoestratégia mundial, custos de transportes e outros, deveriam ser integrados no cálculo de custo de cada fonte energética, só assim poderíamos fazer comparações correctas de custos.
“ A protecção do clima, feita de maneira correcta, poderia na verdade reduzir os custos, não aumentá-los.”LOVINS, Amory B.
A tendência de descarbonização manifestada, preocupação política e económica, deverá ser reforçada por mais eficiência na conversão, na distribuição e no uso de energia; por exemplo, combinar a produção de calor e electricidade pode fornecer duas vezes mais trabalho útil. Se tanto eficiência quanto a energia renovável crescerem mais depressa do que a economia, as emissões de carbono cairão e o aquecimento global diminuirá. Em contraste, a energia nuclear é uma solução mais lenta e cara. Obter um quilowatt-hora de uma usina nuclear custa pelo menos três vezes mais do que economizá-lo com medidas de eficiência. In Scientific American, Mais Lucro com menos Carbono, por Amory B. lovins.

O valor dos recursos depende largamente da capacidade, do engenho/técnica e da experiência e ciência do homem em saber detectá-los. A divulgação da sua utilização só se manifesta quando a sua necessidade é reconhecida, como no caso da madeira e do ferro para a construção de barcos. No passado, o homem preocupava-se com a posse de minerais, de carvão e de borracha. Alguns países chegaram a envolver-se em guerras para poderem controlar a disponibilidade dos produtos. Hoje, as necessidades humanas são um pouco diferentes. O homem já não depende apenas das fontes locais para obter os recursos, e o melhoramento de meios de transporte reduziu o custo das matérias-primas para a indústria. Apesar disso, o princípio continua a ser o mesmo: prosseguir a procura activa e contínua de novos recursos susceptíveis de aproveitamento e de aplicação em larga escala, tendo em consideração o valor dos recursos renováveis, tais como os produtos animais e vegetais necessários à alimentação do homem. E com o mesmo princípio, o homem estrutura a organização socio-económica da sociedade centrada nos recursos energéticos e o domínio dos territórios com base nessa detenção e poder, desencadeando conflitos regionais subjacentes a uma geopolítica mundial. A organização da sociedade também evolui e sofre mudanças. Se as energias renováveis, que são por natureza mais equitativamente distribuídas espacialmente, ocuparem o papel dominante das fósseis, terão necessariamente consequências na organização das sociedades, nas relações sociais de produção e sua distribuição na superfície terrestre.
M.Hubbert previu em 1956, o pico máximo do petróleo para 1970, pois os choques petrolíferos ocorreram nas décadas de 70 e 80. os EUA, apesar de produtores de petróleo, dependem hoje de 70% da importação desse recurso energético.
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Se o recurso energético dominante escasseia, os preços aumentam, é provável que a necessidade leve ao desenvolvimento das energias renováveis, passando a dominantes no final do séc. XXI, ainda que na fase de transição, das fósseis para as renováveis, se assista a um aumento da exploração do gás natural, com maiores reservas do que o petróleo e menos poluente do que o carvão. Também é provável, que a energia nuclear de fissão nesta fase aumente e que para meados do séc.XXI venha ser substituída pela de fusão.
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Lecídia Maio, Julho 2006
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