Título: Uma experiência de formação no âmbito do Projecto TRENDS
Maria José Loureiro e Fátima Flores
Escola Secundária de Anadia
Título: Uma experiência de formação no âmbito do Projecto TRENDS
Tipo de participação: comunicação ou poster
Resumo: Nesta comunicação apresenta-se uma experiência de formação à distância realizada no âmbito do Projecto TRENDS. Assim, depois de resumidamente introduzir o projecto, faz-se uma descrição da acção cujas autoras dinamizaram - Cenários de utilização da Internet nas línguas estrangeiras - indicando-se o objectivo e organização da formação, tanto no que respeita aos aspectos teóricos abordados como às tarefas práticas efectuadas pelos formandos. Por fim apresenta-se uma reflexão sobre o curso, bem como a sua avaliação.
1. O Projecto TRENDS
Projecto TRENDS - "TRaining Educators through Networks and Distributed Systems (http://www.lrf.gr/english/trends/trendshome.html) é um projecto Europeu de formação contínua de professores à distância, financiado pelo Programa Europeu Telematics, no qual participam 6 países: Espanha, França, Grécia, Inglaterra, Itália e Portugal.
Cada país tem diversos parceiros. No caso português, os parceiros são a Associação de Escolas de Aveiro (Centro de Formação José Pereira Tavares), as Universidades de Aveiro e do Minho, o Centro de Estudos e Telecomunicações (CET) de Aveiro, da Telecom Portugal e o Ministério da Educação (DREC).
Em termos práticos o projecto tem um "server", o TRENDS, que contém disponíveis, entre outros, serviços de correio electrónico (E-mail), Fora, e canais de "Internet Relay Chat" (IRC) específicos (http://www.trends.dts.cet.pt/trends.htm).
O lançamento do projecto teve diversas fases das quais destacamos a concepção tecnológica dos serviços e a fundamentação teórica da formação (filosofia subjacente), a cargo dos parceiros portugueses em colaboração com parceiros europeus. Para mais detalhe ver Loureiro e Leal (1998) nestas actas.
Quanto à preparação da formação houve um período de formação de lideres (professores das escolas que dão apoio aos professores em formação); um período de lançamento de propostas de acções de formação por temáticas específicas e um período de formação de formadores (ainda em curso).
Na fase piloto do projecto português, iniciou-se este ano lectivo a oferta de formação à distância a professores de 40 escolas básicas e secundárias, tendo este número sido ultrapassado, por se já estar na 3º período de formação e haver professores de outras escolas que aderiram ao projecto.
Os cursos oferecidos cobrem áreas diversificadas como:
i) Jornais escolares; ii) Literatura; iii) Leitura e escrita; iv) Biologia molecular;
v) Teoria de grafos; vi) Cenários de utilização da Internet nas aulas de línguas estrangeiras; vii) etc..
No que diz respeito ao decorrer das acções de formação, grupos de 16 a 20 professores (preferencialmente dois por escola) encontram-se interligados em espaços comuns, a ver, o IRC, Fora de discussão e E-mail.
Como se referiu acima e tendo em conta que os professores em formação podem não ser peritos no uso das ferramentas de comunicação avançadas, em cada escola existe um professor líder que os apoia tecnicamente e cujo perfil foi definido. É suposto que este professor ajude os colegas em formação quanto às possíveis fontes de informação a procurar, propor tarefas a resolver e fornecer "feedback" constante aos formandos no sentido de funcionar como agente de ligação entre todo o grupo.
Semanalmente o grupo assim constituído encontrava-se e discute em IRC ou Fora os assuntos em discussão participando com os conhecimentos obtidos.
A aprendizagem é levada a cabo pela partilha constante de informação e as opiniões mais profundas são postas em comum no Fórum.
2. Uma experiência de formação à distância em três momentos
A nossa experiência enquadra-se no projecto enquanto formadoras da acção "Cenários de utilização da Internet nas línguas estrangeiras", na qual se discute a eficácia de utilização da Internet nas aulas de línguas e elabora materiais a utilizar por professores de francês, inglês e alemão línguas estrangeiras.
O curso está organizado em diversos capítulos cujos conteúdos se prendem, como foi dito, com a resolução de tarefas práticas e com a discussão de aspectos teóricos. Na página da formação constam os aspectos seguintes: i) organização do curso; ii) introdução; iii) abordagem teórica; iv) exemplos de actividades; v) tarefas a desenvolver; vi) procedimentos para a realização do curso; vii) avaliação; viii) bibliografia e netografia; ix) informação sobre as formadoras.
As tarefas práticas dizem sobretudo respeito à planificação de aulas com uso de endereços específicos (museus, informação turística, jornais "on-line", assuntos actuais, etc...), páginas de exercícios para as aulas ou ainda informação específica sobre variados assuntos (autores, cantores, exposições...). Nas planificações é sempre pedido aos formandos que explicitassem as metodologias e estratégias a utilizar bem como o desenvolvimento das actividades.
As discussões teóricas relacionam-se com assuntos como: i) porquê utilizar a Internet nas aulas, ii) vantagens e desvantagens da sua utilização, iii) códigos específicos da comunicação à distância, iv) como desenvolver estratégias de orientação na pesquisa na WWW ("World Wide Web"), v) definição do tipo de actividades para desenvolver em comunicação sincrónica / assincrónica, etc... Para a elaboração das reflexões teóricas é necessária a consulta de informação feita através de endereços dados e complementados com pesquisa em motores de busca.
Para além do IRC e Fórum existe uma área onde os formandos afixam os seus trabalhos, bem com áreas de avisos, utilidades e de publicação do plano semanal de trabalho.
Quanto ao desenvolvimento dos cursos é importante realçar que todos os formandos realizaram as tarefas propostas em número superior a 75% (a maioria elaborou todos os trabalhos propostos) tendo-se também verificado um elevado nível de comparência nas sessões presenciais de IRC (três horas semanais de comunicação em directo, intervalada com pesquisas, resolução de tarefas e participações no Fórum).
Para além destes aspectos relacionados com a avaliação e grau de participação dos formandos, a nós, como formadoras, interessou-nos também um trabalho de reflexão e avaliação do curso.
A primeira questão que nos surgiu: "a formação à distância é tão eficaz como a formação presencial", é uma problemática à qual não fomos, obviamente, capazes de dar resposta.
Embora tenhamos uma impressão muito positiva da experiência, podemos referir que depois do primeiro curso que decorreu de fins de Novembro a fins de Janeiro, concluímos que existem inúmeros obstáculos à eficácia deste tipo de formação, a saber:
Fizemos inquéritos sobre a acção para melhor fundamentarmos as nossas suposições, nos quais pedimos aos formandos para se pronunciarem sobre:
No primeiro curso, no qual participou o número estipulado à partida de 16 formandos, constatámos as seguintes referências a aspectos negativos e a aspectos positivos:
Com vista a minimizar os aspectos negativos salientados, nas segunda e terceira formações, incentivámos para a utilização mais efectiva da área do Fórum de discussão. Foram constantes as solicitações à leitura dos trabalhos dos colegas e consequente apreciação dos mesmos. Pelo nosso lado, demos sempre "feedback" aos trabalhos, pessoal ou generalizado e, por outro lado, tentámos levantar questões pertinentes que pudessem conduzir a um aprofundar de questões. De referir que o IRC passou a ser um espaço para resolução de questões pontuais ou abordagem superficial de assuntos, tendo-se notado um aumento considerável de mensagens afixadas em detrimento do uso do IRC. No terceiro curso, pelo número elevado de participantes, sugerimos a criação de canais paralelos de acção para levar os formandos a discutir ou elaborar trabalhos em colaboração à distância, por grupos de interesses.
Para concluir importa referir que consideramos esta formação uma alternativa pertinente à formação presencial. Com efeito, existem constrangimentos de ordem técnica e condicionalismos à compreensão das mensagens verbais. Porém, uma vez adquirido o à vontade tecnológico, para além das vantagens ligadas a horários mais maleáveis e ao facto da formação ser feita na escola de cada formando ou em casa, torna-se um recurso que leva obrigatoriamente a uma perspectivação diferente da aprendizagem e a uma maior autonomia. Neste contexto faz sentido, por conseguinte, falar no paradigma da auto-formação.
Bibliografia
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