PROPOSTA DE INTERFACE BASEADA EM CONHECIMENTO PARA APOIO AO ENSINO E APRENDIZADO DA GESTÃO DE MANUTENÇÃO

DE FROTAS DE VEÍCULOS

 

Fernando Celso de Campos (1)

Renato Vairo Belhot (2)

Resumo:

O setor de manutenção de frotas de veículos é marcado por fortes carências em recursos de informática, recursos humanos e materiais. Em virtude dessa constatação de mercado foi desenvolvido um sistema informatizado para o gerenciamento da manutenção de veículos para efetuar os controles e acompanhamentos relevantes e necessários do setor. Nesse contexto e como decorrência da otimização requerida no setor, surgiu uma proposta para agregar ao escopo do protótipo desenvolvido - um Sistema de Apoio à Gestão (S.A.G.), as funções de tratamento das decisões baseadas em históricos armazenados e inferências feitas a partir de parâmetros pré-definidos como se fossem "filtros" para tomada das decisões. Um Sistema Baseado em Conhecimento (do inglês: Knowledge Based Systems - KBS) caracteriza-se por ser uma nova geração de sistemas de informação. Neste trabalho detalha-se a interface KBS-Decisões com seus recursos, opções e o suporte dado à tomada de decisão, e o que se espera como resultados de sua utilização.

1. Introdução

Tem sido expressa e notória a influência da globalização nos ditames que regem o mercado mundial nas nuances transacionais dos negócios.

A competitividade dos sistemas produtivos tem sido alvo de comentários e avaliações enfocando aspectos desde a extração e tratamento de insumos até à distribuição de produtos para os compradores finais ou indústrias de transformação.

Dentro dessa tendência tem-se presenciado um progresso muito significativo no desenvolvimento e disseminação de novas técnicas de produção, assim como a redução de custos dentro das unidades produtivas. (Soares & Caixeta Filho [1997])

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(1) Sócio ABRAMAN- Doutor pela Escola de Engenharia de S. Carlos (EESC/USP)

Departamento de Engenharia Mecânica - Área de Engenharia de Produção

Av. Dr. Carlos Botelho, 1465 - Vila Pureza - 13560-250 - São Carlos - S.P.

(2) Professor Doutor junto ao Departamento de Eng. Mecânica - Área de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP)

e-mail: rvbelhot@prod.eesc.sc.usp.br

Porém, um questionamento precisa ser feito em relação ao aspecto externo da empresa. Sobre o que tem sido feito sobre a garantia da distribuição/recepção dos produtos. E quais tem sido os progressos e otimizações realizadas no setor.

Ou seja, em relação à logística empresarial o que tem sido planejado, executado, revisto e otimizado?

Logística, como se sabe, envolve o gerenciamento da cadeia de suprimentos, o gerenciamento de recursos materiais e a distribuição física.

A logística é importante porque agrega valor tanto para fornecedores quanto para os consumidores da empresa, e o aspecto "transportes" é fundamental dentro deste contexto.

O aspecto estratégico que a logística vem tomando nos últimos anos deposita sobre seu braço forte - a garantia dos transportes - uma grande porção de seu êxito para atingir os objetivos de atendimento de seu consumidor seja com serviços, seja com produtos, pois os anseios do mercado são de rapidez de resposta.

Uma verdadeira estratégia de transportes é traçada tentando fixar os seguintes objetivos:

ü modos e meios de transporte

ü escalonamento e roteamento das entregas

ü tamanho e consolidação do embarque. (Ballou [1997])

Esses objetivos fazem parte da preocupação (e ocupação) do raciocínio gerencial que adentra rumo à nova realidade do século XXI que é pensar na logística como estratégia dentro de um contexto de excelência e classe mundial.

Contudo, nem todas as nações possuem o mesmo nível de sofisticação e tratamento da logística, e no caso do Brasil existem desafios a serem enfrentados e vencidos.

Basicamente, esses desafios poderiam ser resumidos em: custos altos e variação de serviços. (Bowersox & Closs [1997])

Apesar do seu custo elevado, o transporte rodoviário tem sido escolhido para as distribuições, pela falta de estruturação e confiabilidade do transporte ferroviário e por outro lado pelo fato do sistema hidroviário não ter se mostrado competitivo como movimentador de cargas e por não prover um escoamento que desemboque no oceano, onde estão os portos e estaleiros.

Por um bom tempo tanto o traçado quanto a articulação rodoviária do nosso país serão superiores às outras alternativas de transportes (Soares & Caixeta Filho [1997]).

No entanto, Barros (1997), comenta sobre a importância de tratar a logística no seu aspecto de distribuição, com um enfoque científico tanto pela movimentação de bens e produtos, controle de estoque, roteamento dos veículos, quanto pela engenharia de manutenção que ela necessita.

Tendo esse pano de fundo é que envidamos esforços em pesquisar a área de Engenharia de Manutenção na sua vertente de gestão para o setor de frotas de veículos.

Além disso, segundo Fusco (1997), pensando as empresas com estruturação de unidade estratégica de negócios (UEN) observa-se algumas vantagens: a) as unidades operacionais são mais focalizadas trazendo ganhos na curva de experiência dos processos envolvidos, agilidade operacional e maior aderência dos controles e decisões gerenciais; b) no longo prazo, qualidade superior pode ser encarada como a maneira mais eficaz de crescer; c) cria uma base mais consistente de conhecimento, condição vital para a implantação, de forma sustentada, de sistema de gestão modernos; d) permite racionalizar os investimentos necessários para atingir o mesmo objetivo, aumentando a eficiência do sistema na utilização de recursos financeiros; e) permite identificar claramente quem gera dinheiro e quem consome de modo a estabelecer missões específicas em função das previsões para cada setor e para a empresa como um todo; f) permite maior poder de análise da concorrência e de melhorar a qualidade das decisões correspondentes a alternativas de parceria, investimentos, simular operações, bem como estabelecer objetivos mais aderentes com a realidade de mercado.

Desse modo, conceder à gestão da manutenção de frotas de veículos a condição de UEN, pode representar uma ação poderosa que abre grandes possibilidades, tendo em vista a necessidade de uma dinâmica cada vez maior e mais sustentada das empresas.

Por essas e outras razões que inicialmente foi gerado um protótipo de sistema informatizado (SAG_MV), aplicado à gerência de manutenção de frotas de veículos, para efetuar os controles e acompanhamentos relevantes e necessários do setor.

Nesse contexto, a proposta de evolução desse sistema seria dotar o SAG_MV em um Sistema Baseado em Conhecimento com uma interface entre a base de dados do SAG_MV e o acesso facilitado para o gerente poder tomar decisões mais refinadas.

A interface proposta é descrita com bom nível de detalhe estabelecendo os métodos e técnicas incorporadas na solução.

2. A EXTENSÃO DO PROTÓTIPO: A INTERFACE KBS-DECISÕES

A evolução prevista no Sistema SAG_MV é usar uma base operacional moderna, ou seja, ambiente gráfico de operação (windows) dotado de uma certa "inteligência" (usando recursos de Inteligência Artificial (IA) e/ou similares), fornecendo um refinamento das soluções e não apenas sugestões sistêmicas genéricas que carecem de um tratamento que passe pela experiência do gestor.

Nesse contexto, surgiu uma proposta para, a partir do SAG_MV que é um sistema convencional de apoio à gestão, criar uma interface baseada na tecnologia de Sistemas Baseados em Conhecimento (do inglês: Knowledge Based Systems - KBS).

Os KBS caracterizam-se por ser uma nova geração de sistemas de informação auxiliando as organizações a executarem suas atividades de maneira mais racional permitindo-lhes tirar vantagens da experiência coletiva.

Os KBS estão desempenhando um importante papel no processo de rightsizing e downsizing de organizações ao reduzir custos e aumentar o desempenho dos seus funcionários.

Além disso, como os sistemas especialistas convencionais estão se tornando verdadeiros "dinossauros" as tendências das pesquisas e desenvolvimento apontam para uma combinação de técnicas resultando nos chamados sistemas híbridos.

Os sistemas híbridos tiram proveito dos melhores recursos de cada tecnologia. Por exemplo, os fundamentos da inferência baseada em relatos de casos e seus poderosos recursos de busca permitem criar protótipos de software rapidamente e desenvolver novos aplicativos, tais como recuperação de texto e sistemas de suporte a produto. A tecnologia CBR (Case Based Reasoning) possibilita que um sistema armazene experiências passadas ou situações como casos, além de analisar e processar dados e sugerir modos de responder ao problema. Autores como Hedberg (1993) e Merrit (1993), comentam esses aspectos em suas análises e considerações.

3. HISTÓRICO DOS KBS OU SISTEMAS HÍBRIDOS

Em meados dos anos 80, pesquisadores descobriram que os sistemas especialistas baseados em regras poderiam ser associados a poderosas representações orientadas a objeto, baseadas em estruturas (frames).

Esta combinação ajudou a representar estruturas de dados complexas, suas dificuldades e suas relações.

A parceria gerou uma nova geração de ferramentas de desenvolvimento de software e de sistemas denominados de KBS.

Esse tipo de tecnologia complementa a habilidade de um sistema especialista (isto é, um sistema com conhecimento extraído de especialistas ou de experiências passadas) para armazenar e analisar dados.

Pode-se associar outros recursos, como por exemplo, uma rede neural, que proporcionaria precisão e tolerância a erros em um KBS, que por sua vez poderia explicar porque uma rede neural se comporta de tal forma.

Também, os KBS ganham recursos de busca e desenvolvimento quando mescladas a algoritmos genéticos.

A multimídia e a realidade virtual agregam som , animação e recursos gráficos em três dimensões a sistemas inteligentes.

Pesquisadores e desenvolvedores de software estão combinando ferramentas KBS com outras tecnologias de software emergentes.

Por exemplo, a combinação de realidade virtual e multimídia com a tecnologia KBS permite criar uma poderosa interface de usuário para o KBS.

Os programadores podem usar a tecnologia para gerenciar e recuperar fontes de dados multimídia e para criar agentes e objetos inteligentes em realidade virtual.

Como resultado, surgem as interfaces de computador mais amigáveis.

A associação de várias tecnologias cria uma base de conhecimento que pode ser usada para analisar problemas de acordo com o senso comum.

Atualmente, muitas pessoas no campo da IA, consideram como crítico integrar sistemas inteligentes com técnicas de simulação e otimização, multimídia interativa, redes neurais e algoritmos genéticos.

Alguns experimentos mostraram que o uso destas combinações podem manter a competitividade das empresas ao permitir que elas coloquem o produto no mercado rapidamente e a custos vantajosos.

Não bastasse tudo isso, muitos sistemas possibilitam reduzir o tempo de desempenho das operações comerciais de rotina, redução dos erros de diagnose e uma conseqüente diminuição do custo da diagnose.

Há anos a tecnologia KBS tem sido integrada a sistema de controle de processos, monitoração e controle das atividades das unidades industriais tais como fábricas de plásticos e usinas de energia nuclear.

O KBS analisa toda a informação fornecida pelos dispositivos de controle e desencadeia ações corretivas.

Esta abordagem é mais rápida e oferece maior vantagem de custo que os tradicionais métodos matemáticos.

Alguns grandes fornecedores de controle de processos já estão ofertando ou desenvolvendo produtos que combinem as tecnologias de controladores KBS.

Essas são considerações abordadas por Barstow (1979), Addis (1985), Kowalik (1986), Kusiak (1989).

4. A PROPOSTA DA INTERFACE KBS-DECISÕES

Os KBS dependem do conhecimento, aprendizado, cultura, processos, existentes na organização que o alimenta de dados no dia-a-dia. Esses fatores, se canalizados para um objetivo amplo e comum da empresa, associados com essa ferramenta KBS tornam-se fonte de vantagem competitiva.

Varga (1996), defende, a partir de sua experiência empresarial que, a aprendizagem só é efetiva quando há mudança de comportamento do grupo, da empresa como um todo.

Também afirma que, essa mudança comportamental ao longo do tempo e proporcional ao esforço empenhado, passa por fases: do conhecimento para a atitude, da atitude para o comportamento individual, do comportamento individual para o comportamento de grupo.

E para ir-se progredindo nessas fases usa-se várias ferramentas: pedagogia, etnologia, sala de aula, educação no trabalho, feedback e comunicação.

Partindo desses conceitos, como a função manutenção pode ser vista de maneira a favorecer o aprendizado gerencial e operacional de forma competitiva na organização?

O fundamento básico da função manutenção é a produção de um serviço que pode ser encarado contendo três aspectos em um: prever, corrigir e garantir.

A manutenção de um veículo pode ser de três tipos: Preditiva (coleta/monitoração de dados históricos e previsão de manutenção), Preventiva (checagem e ajustes rápidos de componentes), Corretiva (consertos e substituições de componentes).

Tanto uma manutenção Preditiva, quanto uma Preventiva vão terminar (em um certo momento) numa manutenção Corretiva, que vai necessitar de recursos humanos e financeiros para cumprir o seu papel eficazmente.

Como representar todo esse "conhecimento circulante" para dentro de um KBS num computador?

Mockler & Dologite (1992), definem algumas características importantes que marcam um KBS e alguns passos a serem seguidos para se chegar ao sucesso do desenvolvimento desse tipo de sistema.

O desenvolvimento de um KBS passa pelas fases:

(1) seleção e definição do projeto;

(2) aquisição de conhecimento, análise e representação para a situação em estudo;

(3) reformulação do conhecimento e transformação para a situação em estudo;

(4) projeto básico do sistema;

(5) projeto consolidado e desenvolvimento do sistema;

(6) testes, implementação e manutenção do sistema.

A cada fase no ciclo de vida do sistema, alternativas de decisão são desenvolvidas e avaliadas e decisões tomadas são implementadas, baseadas nos requisitos de cada situação específica.

Este ciclo de vida é, entretanto, nada mais que um conjunto integrado de decisões, como se fosse uma série de passos seqüenciais ou estágios ou fases.

Como já modelamos a função de manutenção de frotas e já conhecemos os trâmites da tomada de decisões nela, as fases (1) e (2), já estavam num nível de execução muito bom.

Para reformular e transformar o conhecimento (fase 3) e a partir daí atingirmos as fases seguintes, usamos um recurso de regras SE-ENTÃO associadas com uma filosofia denominada Data Mining [Manago & Auriol (1996)] que é a verdadeira garimpagem do conhecimento que está por trás dos dados históricos registrados no sistema. Esse processo de preparação de tomada de decisão, pode envolver: decisões, exercícios e consultas.

Exemplo de Decisões é o processo de aquisição de pneus, que pode envolver dose de conhecimento técnico, bom senso e visão estratégica, em doses harmônicas. Pôr que? O componente pneu é o terceiro ítem de importância em termos de custo dentro de uma frota de veículo, só perdendo para combustíveis e mão-de-obra.

Como seria a expressão em regras do conhecimento para adquirir pneus?

Pode-se considerar que a Demanda necessária é observada sobre os controles internos de Estoque de pneus novos e de ressolados e sobre os eventuais pneus já encomendados pelos processos normais de compra.

Portanto, a formação de uma regra simplificada para expressar este tipo de situação, poderia ser:

SE

Pneus em estoque < índice de segurança previsto

e

Pneus ressolados < índice de segurança

e

Pneus encomendados + SOMA < Demanda necessária

e

Número de pneus a serem substituídos > 30% do total de pneus

ENTÃO

Especificar as medidas e marcas dos pneus desejados

Pesquisar fornecedores de pneus

Verificar últimas compras X desempenho dos pneus (durabilidade)

Comparar pneus novos e recauchutados

Selecionar os 3 melhores fornecedores

Emitir formulário para cotação de preços.

A partir desse processamento de dados e porque não dizer de conhecimento, o gerente da manutenção depois de alguns minutos teria uma lista em suas mãos para poder cotar os preços dos ítens desejados, que eventualmente voltaria a alimentar o computador que através de uma "matriz de pesos" faria uma referência cruzada dos dados das cotações de preços avaliando os quesitos: prazo de pagamento, garantia, preço de custo, tipo de entrega (CIF ou FOB), e montando já uma ordem de fornecimento otimizada.

Passando para o processo da compra propriamente dita com dados já filtrados e direcionados, evitando-se maiores embaraços.

Projetamos também possibilidades de se fazer Exercícios sobre a frota em relação à disponibilidade de veículos, testes de rendimento de combustíveis, lubrificantes e componentes, e também quanto à confiabilidade da frota.

Esses Exercícios fariam projeções e simulações sobre os dados históricos armazenados fornecendo as conseqüências sobre a frota do que foi inserido como solicitação.

O aspecto de Consultas é de suma importância porque permite um levantamento rápido e otimizado de dados que podem proporcionar decisões estratégicas interessantes e aumentar a flexibilidade e competitividade da prestação de serviços.

Por exemplo, uma grande empresa quer contratar 45 ônibus da frota para transporte de seus funcionários diariamente e o processo de licitação é daqui a 2 dias. Que fazer? No modo tradicional o gerente deveria levantar custos de manutenção para prover que esses 45 veículos não falhassem no desempenho do seu dia-a-dia, deveria avaliar a disponibilidade da frota nesse período em relação aos serviços já prestados, analisar a necessidade ou não de aquisição de novos veículos, analisar a necessidade de contratação de mão-de-obra para operar e manter, e uma série de outras considerações que devem ser avaliadas a menos que se opte em desistir de participar da licitação.

O módulo Consultas além de prever análises de compras, contratação de pessoal, investimentos, ele avalia a participação em novas licitações e concorrências, ou seja, tudo sob o aspecto estratégico de gestão da manutenção.

Portanto, em linhas gerais, a diferença fundamental desse sistema KBS híbrido é que ele tem um fortalecimento do módulo Decisões, que sucintamente poderia ser descrito em suas características como segue:

Interface KBS-Decisões: detalhamento de algumas opções

ü planos de manutenção

ü para comprar

ü para contratar

ü para investir

ü planos de manutenção

ü compras

ü contratações

ü investimentos

ü índices

ü testes

ü análise de compras

ü contratação de pessoal

ü direto

ü terceirizado

ü investimentos

ü licitações e concorrências

ü marketing

ü referência cruzada ("garimpagem")

ü filtros

ü regras

ü comandos linguagem natural

Esse módulo pode congregar quanto conhecimento se queira porém é necessário ir selecionando, otimizando, organizando, qual tipo de conhecimento favorece os objetivos e a missão da empresa que envolve e supõe a função manutenção.

 

Figura 1: Estrutura geral de relacionamento SAG_MV e Interface KBS-Decisões

5. APRESENTAÇÃO DA INTERFACE SISTÊMICA

Como já mencionado, a interface KBS-Decisões, interage sobre a base de dados oriunda do sistema SAG_MV que gerencia toda a manutenção da frota de veículos.

As opções principais da interface KBS-Decisões foram projetadas e selecionadas depois de muita análise de maneira que ficasse compactada num único formato a idéia central que é possibilitar a disponibilização do conhecimento de uma maneira ágil e de fácil compreensão.

Opções principais:

ü Importar

ü Comandos

ü Projeções

ü Consultas

ü Casos

ü Configurações

ü Ajuda

A opção Importar tem a função de carregar os arquivos do sistema SAD_MV e disponibilizá-los no padrão tabelas para uso corrente nas ações da interface sem danificá-los ou alterar o seu conteúdo.

A opção Comandos apresenta um tipo de interpretador de comandos em linguagem natural para algumas ações pré-determinadas e que urgem uma atitude de "encurtar caminhos".

A opção Projeções fará levantamentos como exercícios envolvendo aspectos de gestão, tais como: testes, verificação de índices, investimentos, contratações, compras, análise de planos de manutenção.

A opção Consultas difere um pouco de Projeções mas lhe agrega valor e complementa. Destaca-se a sub-opção de consulta com referência cruzada procurando realizar uma verdadeira "garimpagem" (do inglês: "data mining"), dos dados fornecendo-se algumas condições de partida para análise.

Também nessa opção poderão ser consultados aspectos relacionados com licitações e concorrências, com marketing no sentido de averiguações de preferências e usos, com compras e contratação de pessoal direto ou indireto.

A opção Casos tem a função de ser uma base de referência com as experiências passadas ou situações decisórias armazenadas após a análise e processamento dos dados ou ainda por verificar e gerar um caminho de solução.

A opção Configurações tem como função permitir a definição de Regras e Filtros que serão utilizados dentro das sub-opções relacionadas com Projeções e Consultas, bem como a definição das chamadas dos comandos em linguagem natural e seus relacionamentos com os arquivos da base de dados de SAG_MV que a opção Comandos utilizará.

A opção Ajuda fornecerá suporte temático às dificuldades encontradas ao longo da operação da interface.

Em relação aos Relatórios gerados pela interface, define-se que em qualquer sub-opção seja possível a verificação dos dados resultantes tanto na tela quanto na impressora.

Quando os botões relacionados com as opções forem acionados e tiverem associados a eles sub-opções então menus pop-up surgirão exibindo as opções e orientações serão apresentadas na área de mensagens para que o usuário saiba o que fazer.

Toda vez que uma operação ilegal ou duvidosa for executada algumas mensagens de orientação e advertência serão apresentadas em caixas de diálogo na região central da tela principal da interface.

6. RESULTADOS ESPERADOS

A luta pela competitividade e em alguns casos pela própria sobrevivência, exige das empresas ocidentais respostas e ações com tal rapidez e em ambientes tão turbulentos, que as mesmas transitam sobre o tênue fio que separa o sucesso do fracasso.

Descentralização da manutenção, subordinação ao segmento da manufatura, interação de sistemas de informação, preservação ambiental, terceirização e desverticalização, trabalho em grupo e desenvolvimento contínuo, constituem-se nos desafios a serem vencidos.

É necessária uma mudança do padrão gerencial para que a empresa não perca a competitividade para os seus concorrentes mais imediatos. O Brasil está atrasado em relação aos países desenvolvidos mas a velocidade da sua transformação indica que, a revolução tecnológica de todos os setores, veio para ficar.

Enfatizar apenas os aspectos vantajosos da terceirização da manutenção dentro da realidade brasileira apregoando-se de maneira simplista que com o seu uso os custos serão reduzidos e a qualidade aprimorada é um risco.

A questão é delicada e envolve aspectos legais de qualidade, segurança, produtividade e custos. É conveniente estar alerta sobre os pontos negativos e positivos para que a empresa possa melhor se orientar para uma tomada de decisão mais adequada.

Portanto, a elaboração de abordagens práticas para implantação de um programa amplo de manutenção dentro do sistema organizacional de uma empresa com frotas de veículos principalmente no que diz respeito ao processo de tomada de decisões é de suma e vital importância, até como redutor de custos diretos.

É preciso derrubar o mito que ou uso da informática causa desemprego e esclarecer que a sua implantação e aplicação é mais um instrumento de trabalho e muito conveniente na modernização geral da empresa. A sua aplicação racional deve proporcionar vantagens não só no processo produtivo, mas também e por decorrência, na empresa como um todo.

É freqüente a gestão da manutenção necessitar de subsídios consistentes para orientar sua programação e tomadas de decisão.

É bom lembrar que a informatização da manutenção não deve se limitar ao simples ato de transferir para o computador as funções que eram executadas manualmente, mas deve prover algo mais que cause a diferenciação competitiva e a flexibilidade organizacional necessária.

A perspectiva dos KBS híbridos atenderem aos quesitos da função manutenção e dos clamores da modernidade vem de projeções e pesquisas que afirmam que nós próximos anos, a tecnologia de representação de conhecimento utilizará cada vez mais regras, objetos, casos, algoritmos genéticos e redes neurais [Liebowitz (1993); Bielawski & Lewand (1991)].

A integração de duas ou mais destas propostas será importante em certos ambientes como simulação e controle de processos, onde o conhecimento não pode ser totalmente retratado por um único esquema de representação. As novas combinações dos KBS com outras tecnologias estão dando aos computadores inteligência para adaptar-se à operação de ambientes, acesso e uso de vastos bancos de dados e para assistir ao desempenho de tarefas.

Além disso, afirma Traeger (1995), "o sistema de manutenção informatizado convenientemente concebido proporciona diretamente à empresa a possibilidade de habilitar-se à implantação das normas ISO 9000".

A interface KBS-Decisões além de mesclar CBR (Case Based Reasoning), IA (Inteligência Artificial) nos seus comandos em linguagem natural e o data mining, tem a estimativa de provocar, em primeira instância, uma sensível melhora do fluxo de informações e dos controles, e como conseqüência uma redução de custos considerável, devido ao fato de que há um decremento dos desperdícios com os componentes que recebiam (no passado) um atendimento de manutenção ruim ou que eram substituídos prematuramente, bem como um incremento da segurança, confiabilidade e disponibilidade da frota.

Um outro aspecto é a nova qualidade e produtividade oriunda do uso dos dados gerenciais resultantes do KBS-Decisões, que além de agilizar o trabalho do gerente também auxiliará no sequenciamento de prioridades, por exemplo.

Portanto, a conjugação da arte da manutenção e a tecnologia oferecida pela informática, especificamente por sistemas baseados em conhecimento é o grande desafio a ser equacionado.

Devido a todas as carências do setor de frotas de veículos surgiu essa iniciativa de execução de uma pesquisa e desenvolvimento na área de manutenção de frotas de veículos, com o intuito de influir no crescimento do setor, favorecendo a capacitação, treinamento e a ampliação de fatores de âmbito mais geral, dentre eles, a segurança dos veículos, tornando-os mais confiáveis e disponíveis, trazendo um nível menor de prejuízos para as empresas, preservando vidas humanas. Desse modo, oferecendo uma contribuição teórico-prática com uma boa abrangência para os interessados do setor, cumprindo o papel da prestação de serviços da Universidade à comunidade.

Como parte da reflexão desse artigo deixo um pensamento do maestro austríaco Herbert von Karajan (1908-1991): "Quem decide pode errar. Quem não decide já errou!".

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