3º Simpósio Investigação e Desenvolvimento de Software Educativo
3 a 5 Setembro de 1998 - Universidade de Évora

Miguel de Castro Neto
Secção de Agricultura
Instituto Superior de Agronomia
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ResumoVivemos na sociedade da informação e um dos factores críticos de sucesso desta sociedade deve ser o acesso e utilização das tecnologias da informação e comunicação actualmente disponíveis pelo mais vasto universo possível de cidadãos, bem como o combate há info-exclusão.
Estas tecnologias de informação e comunicação têm possibilitado uma cada vez maior integração dos cidadãos com necessidades especiais na sociedade pois contribuem para tornar mais acessível o mundo que nos rodeia.
A Internet, tirando partido destas tecnologias tem um papel crucial a desempenhar. A rede tem tido um crescimento exponencial e tem deitado por terra todas as barreiras, principalmente as espaciais e pode servir de suporte a inúmeras actividades no âmbito do ensino de cidadãos com necessidades especiais.
A diversidade de serviços suportado pela Internet e o manancial de informação aí disponível, pode ser de extremo valor e utilidade para esse grupo social constituído pelos cidadãos com necessidades especiais. Para que tal seja verdade, serão necessários cuidados acrescidos para que os desenvolvimentos tecnológicos que têm vindo a acontecer neste meio, particularmente na World Wide Web, sejam enquadrados com as necessidades específicas deste grupo.
Com este trabalho pretendemos analisar quais os procedimentos que devem ser seguidos para que as interfaces desenvolvidas para a World Wide Web sejam transparentes independentemente da audiência a que se destinam, especialmente para o caso dos cidadãos com necessidades especiais.
A sociedade da informação caracteriza-se por um incrível aumento da informação em todos os processos de actividade sócio-económicas, independentemente do sector de actividade. Paralelamente, as tecnologias de informação e comunicação actualmente disponíveis, colocam ao nosso dispor um manancial de instrumentos cujos limites de utilização ainda não estão claramente definidos.
Entre os fenómenos que têm maior impacto na sociedade da informação encontramos a Internet e os diversos serviços que lhe estão associados (WWW, E-mail, FTP, Gopher, etc.). Este meio de comunicação veio criar oportunidades e desafios em permanente mutação, sendo, do nosso ponto de vista, o acesso a informação em qualquer ponto do globo em tempo real a um custo muito reduzido, quer do produtor da informação quer do utilizador, um dos seus maiores trunfos.
Este factor crítico de sucesso da Internet tem a sua maior expressão na criação e disponibilização de conteúdos informativos actualizados sobre as mais diversas áreas. Este manancial de informação tem um valor incalculável para qualquer cidadão, no entanto, o seu valor aumenta bastante quando pensamos nos cidadãos com necessidades especiais. Estas necessidades estão muitas vezes associadas a problemas de locomoção, pois a sociedade em que vivemos ainda tem muito que fazer para tornar acessível a todos o mundo que nos rodeia. Assim, o acesso a este oceano de informação que é a rede é um aspecto crucial a ser enquadrado nesta iniciativa nacional para os cidadãos com necessidades especiais.
Todavia, o serviço da Internet que sofreu um crescimento mais acelerado quer em termos de produtores de informação quer em termos de utilizadores, a World Wide Web, é um meio de comunicação que tem evoluído no sentido de incluir uma, cada vez mais, variada panóplia de componentes gráficos. Esta evolução induz a que os cidadãos com necessidades especiais, que necessitam muitas vezes de auxiliares que lhes "traduzem" os conteúdos, tenham dificuldades em aceder a estes recursos, pelo menos na sua totalidade. Este problema tem vindo a tornar-se mais notório à medida que temos vindo a incluir a uma velocidade estonteante novos recursos tecnológicos no desenvolvimento dos conteúdos para a WWW.
Por exemplo, no caso dos deficientes visuais, Fernandes (1998) refere que embora o acesso a este oceano de informação em tempo real seja fundamental, não devem ser descuradas as medidas visando a acessibilidade dos conteúdos desenvolvidos quando somos confrontados com a evolução tecnológicas cada vez mais apostada em tirar partido dos estímulos visuais.
Assim, têm vindo a ser desenvolvidas acções tendentes ao estabelecimento de padrões comuns que permitam o recurso às mais recentes possibilidades que a tecnologia oferece, mas que paralelamente salvaguardem os interesses dos cidadãos com necessidades especiais.
Neste trabalho, após abordar questões relacionadas com a problemática da acessibilidade e nomear algumas iniciativas internacionais e nacionais que estão actualmente a decorrer para lidar com este problema, apresentaremos alguns princípios básicos a ter no desenvolvimento de interfaces WWW para cidadãos com necessidades especiais e alguns exemplos de erros comuns praticados no desenvolvimentos desses conteúdos.
Acessibilidade
, [do baixo lat. Accessibilis.] s. f. Facilidade na aproximação.Cândido de Figueiredo, Grande Dicionário da Língua Portuguesa,
25º Edição, Bertrand Editora, Venda Nova, 1996.
As debilidades funcionais que normalmente consideramos como características dos cidadãos com necessidades especiais podem ser divididas em quatro categorias gerais, cada uma delas cobrindo um leque alargados de pessoas com diferentes níveis de aptidão:
Deficiências visuais podem tornar difícil a leitura de texto que é muito pequeno ou de uma cor particular, ou podem exigir a conversão da informação visual para discurso oral ou Braille.
Deficiências de audição que podem tornar difícil ouvir ou reconhecer sinais audíveis como beeps de aviso.
Deficiências de movimentação que podem afectar as capacidades de utilizar o teclado ou o rato.
Deficiências cognitivas tomando diferentes formas, incluíndo diferenças de percepção e dificiências de linguagem.
Para lidar com este problema, apareceu o conceito de acessibilidade que é sinónimo de facilidade de aproximação. A acessibilidade no mundo das tecnologias da informação está associada a acções tendo por objectivo tornar os computadores mais acessíveis a um leque de utilizadores mais vasto do que seria caso não fossem tomadas essas acções. Estas necessidades especiais podem ser tratadas de diversas formas (Microsoft, 1998) :
Características de acessibilidade incorporadas no hardware ou no sistema operativo e que promovem a sua acessibilidade a utilizadores com e sem necessidades especiais. Esta é a solução preferível, uma vez que as características de acessibilidade estão disponíveis em todas as estações de trabalho e podem ser utilizadas em todas as aplicações.
Utilitários que modificam o sistema para o tornar mais utilizável por um maior número de pessoas, mas que não são práticos para instalar em todas as plataformas. Exemplos de utilitários incluem os sistemas de output em braille ou modificações do teclado ou do rato.
Aplicações especiais para pessoas com deficiências, tais como processadores de texto desenhados para integrar voz e texto com o objectivo de auxiliar indivíduos com aptidões de escrita e leitura limitadas.
Características de usabilidade que podem ser incorporadas nas principais aplicações, tornando-as mais fáceis de utilizar por pessoas com necessidades especiais. Por exemplo parametrização de cores ou aceleradores de teclado. Muitas vezes estas características também beneficiam as pessoas sem deficiências.
No contexto deste trabalho vamos restringir o conceito de acessibilidade. Assim, consideraremos acessibilidade como a forma de tornar os conteúdos desenvolvidos para a World Wide Web acessíveis a um leque mais vasto de utilizadores do que, caso contrário, seria possível. Neste caso os cidadãos com necessidades especiais.
O objectivo será proporcionar a flexibilidade necessária aos conteúdos produzidos para a Web com vista a satisfazer as necessidades e preferências destes utilizadores - baixa visão, daltonismo, surdez, problemas de fala - e serem compatíveis com os auxiliares de acessibilidade - leitores de écran, dispositivos reconhecedores de voz, écrans sensíveis ao toque, etc.
Entre as razões que nos levam a tentar tornar as páginas acessíveis podemos salientar a vontade de alcançar tantos utilizadores quanto possível; permitir o acesso a ferramentas automáticas tais como motores de busca para indexação; precaver futuros desenvolvimentos para acesso à Web via telefone ou automóvel; merecer o uso do Web Access Symbol; e evitar descriminar os utilizadores da comunidade dos cidadãos com necessidades especiais.
4.1 - Iniciativas Internacionais
A nível internacional podemos encontrar inúmeras iniciativas que se debruçam sobre esta problemática da acessibilidade na World Wide Web e que desenvolvem accções para minorar as dificuldades sentidas pelos cidadãos com necessidades especiais na sociedade da informação.
De seguida apresentamos algumas destas iniciativas, bem como os contributos que têm vindo a dar no campo da defesa da acessibilidade.
The Web Access Project
(http://www.wgbh.org/wgbh/pages/ncam/currentprojects/wapindex.html)
Tendo em consideração que para milhões de pessoas, a World Wide Web é uma nova e excitante ferramenta para a aprendizagem e comunicação, mas que, por outro lado, para pessoas sofrendo de surdez, dificuldades de audição, cegueira ou dificuldades de visão, o enriquecimento da Web com capacidades gráficas, audio e video estão fora de alcance, foi anunciado em 1996 pelo CPB/WGBH National Center for Accessible Media (NCAM) dos Estado Unidos um projecto para lidar com este problema.
O Web Access Project investiga, desenvolve e testa métodos de integração de tecnologias acessíveis e novas ferramentas para a Web num site da WWW tornando-o completamente acessível para utilizadores da Internet cegos e surdos.
O Web Access Project já desenvolveu e lançou um Web Access Symbol de utilização livre. Os designers de Web sites podem utilizar o símbolo, respectivo texto ALT e descritivo, para indicar que foi feito um esforço no sentido satisfazer as necessidades dos cidadãos sofrendo de surdez, dificuldades de audição, cegueira ou dificuldades de visão. Para tal estão disponíveis no site da NCAM – National Center for Accessible Media (http://www.wgbh.org/wgbh/pages/ncam/) directrizes a serem utilizadas pelos Webmasters para introduzirem características de acessibilidade nas suas páginas Web.
Figura 1 – Web Access Symbol
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d (Image Description: Web Access Symbol. A globe, marked with a grid, tilts at an angle. A keyhole is cut into its surface.) |
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Nota:
o símbolo deve ser sempre utilizado com o seguinte texto ALT: Web Access Symbol (for people with disabilities)Esta imagem pode ser utilizada pelos Webmasters para indicar que o seu site contem características de acessibilidade para satisfazer as necessidades dos cidadãos com deficiências. O símbolo deve ser sempre acompanhado pela sua descrição e texto do atributo ALT.
A utilização deste símbolo não implica nenhum custo, e pode ser utilizado em formato electrónico ou impresso. Não existe nenhuma forma de garantir que um site que possui o símbolo seja 100% acessível, ou mesmo que foi desenhado seguindo princípios de acessibilidade. Contudo, com base no espírito da Web, é deixado ao critério dos navegadores da World Wide Web darem a indicação aos Webmasters de que os seus sites são ou não acessíveis, e oferecerem sugestões para uma maior acessibilidade.
Por último, o Web Access Project tem desenvolvido iniciativas junto dos principais produtores de hardware e software e outras entidades, tais como os ISP’s, webmasters e designers, no sentido de disseminar informação, técnicas e tecnologias para tornar a Web mais acessível. Isto inclui a participação na Web Access Initiative – WAI patrocinada pelo Web Consortium - W3C a que nos referiremos de seguida.
WAI - Web Access Initiative
Tendo como enquadramento que a World Wide Web oferece a promessa de transformar muitas das barreiras da informação e interacção entre diferentes pessoas e o empenho do World Wide Web Consortium em levar a Web ao seu máximo potencial, o que inclui a promoção de um elevado nível de utilidade para cidadãos com necessidades especiais. A Web Access Initiative – WAI, em coordenação com outras organizações, persegue a acessibilidade da Web através de cinco áreas de trabalho principais: tecnologia, princípios orientadores, ferramentas, educação e investigação & desenvolvimento.
O World Wide Web Consortium tem vindo a trabalhar no sentido de definir padrões para a autoria de páginas na Web que respeitem as especificidades dos cidadãos com necessidades especiais em termos de acessibilidade. Neste momento existe um W3C Working Draft (14 de Abril de 1998) onde são definidos um conjunto de princípios que os autores de HTML devem seguir por forma a tornarem as suas páginas mais acessíveis para pessoas com deficiências e mais adequadas para os robots de indexação. Para além deste conjunto de princípios, foi elaborada uma lista de verificação que os autores e Webmasters devem utilizar para verificar a acessibilidade das páginas por si desenvolvidas.
Esta lista de verificação de acessibilidade cobre oito pontos diferentes e divide-se em princípios requeridos e princípios recomendados para obter páginas HTML consideradas acessíveis. Os pontos cobertos são: estilo e estrutura; imagens e image maps; applets e scripts; audio e video; tabelas; links; frames; e user-input forms.
WDG - Web Design Group
Este Grupo foi fundado com o objectivo de promover a criação de sites não browser específicos, não resolução específicos, criativos e informativos que sejam acessíveis a todos os utilizadores. Com esta finalidade, o WDG oferece material num vasto leque de tópicos relativos a HTML.
Para este grupo, a acessibilidade é um dos grandes trunfos da World Wide Web, contudo receiam que esta vantagem esteja a desaparecer à medida que os autores criam páginas Web optimizadas para um pequeno conjunto de ambientes de navegação. Alguns autores estão desta forma a diminuir a sua audiência potencial sem terem a percepção dos significativos benefícios da acessibilidade e da facilidade de implementar medidas de acessibilidade.
Assim, defendem que Web sites acessíveis proporcionam a máxima audiência potencial através da possiblidade de qualquer utilizador da Web poder aceder ao site. Alguns sites restringem desnecessariamente a sua audiência com base no browser, resolução, ou parametrizações que o utilizador prefere. Cada frase "optimizado para …" diz a uma parte do público para se afastar, o que não é considerado boa política em nenhum negócio.
Então, um site acessível permite aos utilizadores acederem a ele independentemente do seu browser, resolução, parametrizações, ou visão. Sites acessíveis estão abertos para os inúmeros cidadãos com necessidades especiais do mundo, incluindo a considerável população de invisuais. Através de uma melhor autoria, os fornecedores de informação da rede pode evitar excluir os cidadãos com necessidades especiais da era da informação, e podem agarrar uma boa fatia deste mercado largamente ignorado.
Quando na Web, a população de invisuais inclui os robots dos motores de busca. Visto que os robots dos motores de busca só têm capacidade de lidar com texto e geralmente suportam apenas HTML 2.0, a acessibilidade pode ser uma vantagem significativa para ser favoravelmente indexado pelos motores de busca. Sites que confiam parte do seu conteúdo em imgens sem texto no atributo ALT prejudicam a probabilidade de serem encontrados pelos utilizadores.
Para este grupo, web sites acessíveis possuem uma maior flexibilidade para o futuro crescimento da Web. Enquanto a Web é normalmente vista como um meio visual, as páginas acessíveis permitem a sua apresentação oral ou em braille. Embora a a navegação oral da Web sejam hoje comum no grupo dos invisuais, ganhará uma maior importância no futuro através da utilização de browsers da Web nos automóveis, nos telefones, etc. Algumas destas tecnologias já estão a serem utilizadas experimentalmente. Escrevendo páginas acessíveis, os autores proporcionam aos seus clientes a flexibilidade necessária para se adaptar a estas tecnologias inovadoras.
Para terminar, segundo este grupo, HTML cuidadosamente escrito proporciona acessibilidade a um custo reduzido ou nulo. Pela remoção desta acessibilidade os autores desperdiçam a flexibilidade e utilidade do seu site ao mesmo tempo que reduzem a sua audiência potencial.
Microsoft Accessibility and Disabilities
Como líder da indústria de software, a Microsoft Corporation reconhece a sua responsabilidade no desenvolvimento de produtos e tecnologias da informação que sejam acessíveis e utilizáveis por todos os cidadãos, incluindo aqueles com necessidades especiais. Assim, dedicam tempo e recursos para assegurar que todos os utilizadores possam ter acesso aos seus produtos, bem como sublinham o empenho de todos na Microsoft na prosecução deste objectivo.
Para tal, a Microsoft considera as necessidades dos cidadãos portadores de deficiência em todas as fases do planeamento, desenvolvimento e suporte dos seus produtos. Isto inclui:
Neste contexto, podemos encontrar na presença da Microsoft na Web, um site exclusivamente dedicado à questão da acessibilidade em termos de hardware e software. Neste site após uma introdução a esta temática podemos conhecer quais os esforços que a Microsoft desenvolve para lidar com esta questão.
De entre os aspectos cobertos neste site, gostaríamos de destacar um capítulo dedicado aos autores de conteúdos para a WWW em que é apresentada uma lista detalhada de princípios a seguir e cuidados a ter, bem com um vasto leque de exemplos dos erros mais comuns neste contexto de acessibilidade.
IBM - Web Accessibility
A IBM, tendo em consideração esta problemática da acessibilidade, estabelece algumas directrizes tendo como princípio básico que a informação deve ser independente do meio de apresentação. Assim, a informação na Web deve ser escrita em HTML de forma a ser vista, lida, imprimida ou passada a Braille.
Neste site é possível encontrar uma pequena lista de cuidados a ter no desenvolvimento de conteúdos e chamam a atenção para a iniciativa do World Wide Web Consortium (W3C) que lançou recentemente um conjunto detalhado de directrizes para a acessibilidade da Web e refinamentos do HTML 4.0.
Referem ainda a verificação da acessibilidade do seu site com a nova ferramenta de análise de HTML da CAST's denominada BOBBY, a que referiremos de seguida. Também salientam a importância de tentar ler as páginas por exemplo na última versão do browser de texto Lynx.
Salientam o trabalho do National Center for Accessible Media (NCAM) da CPB/WGBH que anunciou a disponibilização do Web Access Symbol, a que já nos referimos.
BOBBY
BOBBY é um serviço gratuito do Center for Applied Special Technology - CAST. Este centro foi fundado em 1984 e tem como missão expandir as oportunidades para todos os indivíduos, especialmente aqueles com deficiências, através de utilizações inovadoras das tecnologias da informação.
Este serviço, Bobby, permite analisar páginas da Web em termos de acessibilidade para os cidadãos com necessidades especiais. Este programa também detecta no HTML problemas de compatibilidade que impedem a visualização correcta das páginas nos diferentes browsers da Web.
4.2 - Iniciativas Nacionais
Em Portugal podemos encontrar algumas iniciativas para lidar com o problema da acessibilidade na sociedade da informação. Entre as várias iniciativas propostas pelo Livro Verde para a Sociedade da Informação, resultado do trabalho da Missão para a Sociedade da Informação, encontramos a "Iniciativa Nacional para os Cidadãos com Necessidades Especiais" (
http://www.missao-si.mct.pt). Com esta medida pretende-se incentivar as organizações governamentais e não governamentais a desenvolver programas no âmbito da Sociedade da Informação visando a integração dos cidadãos com necessidades especiais, bem como lançar o desafio às instituições universitárias e de investigação científica para o desenvolvimento de soluções adequadas para este grupo social.Visa, num futuro próximo, criar as condições para uma Resolução do Conselho de Ministros visando esta problemática. Existe já disponível no site da Missão para a Sociedade da Informação (
http://www.missao-si.mct.pt) um texto provisório para apreciação, bem como um questionário que visa o levantamento dos projectos e iniciativas em curso nesta área. Foram ainda realizadas algumas reuniões, nomeadamente um seminário com a temática "Os Cidadãos com Necessidades Especiais na Sociedade da Informação" (http://www.missao-si.mct.pt/cidnecesp) e um forum com investigadores nesta área que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.Por outro lado, assistimos também a algumas inciativas de instituições, como é o caso do Terra à Vista, onde está alojado o Farol da Deficiência, do Handicap e da Igualdade de Oportunidades (
http://www.terravista.pt/Meco/1728/) que é mantido a título particular por F. Godinho (f.godinho@mail.telepac.pt) e onde podemos encontrar ligações para diversos locais de interesse, dos quais destacamos o página "O Bug da Acessibilidade", mantida também por F. Godinho (http://www.terravista.pt/Meco/1734/bug.html). Esta página, face às barreiras arquitectónicas com que as pessoas com deficiência se confrontam habitualmente ter sido estendida agora ao acesso ao computador e à informação digital, pretende dar alguma visibilidade às questões da acessibilidade técnica da informação, do software e de terminais, no âmbito da Iniciativa Nacional para os Cidadãos com Necessidades Especiais. Neste âmbito é prestada particular atenção aO acesso à Internet pois, sendo condicionado for vários factores entre os quais destaca o desconhecimento de que a concepção dos conteúdos informativos e comunicacionais não estão a ter em consideração pessoas com necessidades especiais. Chama ainda a atenção para os vários esforços que estão a ser desenvolvidos no sentido de integrar a acessibilidade na Web. Trabalhos estes que incidem na divulgação de guias de boas práticas e de símbolos de acessibilidade, aperfeiçoamento dos códigos que os Browsers interpretam (linguagem HTML, Java, etc.), programas de teste automático de acessibilidade e melhoramento dos programas para desenvolvimento de aplicações Web.Estão também já presentes na rede diversas instituições que trabalham no contexto dos cidadãos com necessidades especiais que, embora não lidando especificamente com o problema da acessibilidade dos conteúdos na WWW, podem fornecer informação útil no contexto mais alargado da sociedade da informação, nomeadamente no recursos às novas tecnologias de informação e comunicação ao serviço dos cidaãos com necessidades especiais. Entre elas destacamos o CANTIC - Centro de Avaliação em Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (
http://www.terravista.pt/MeiaPraia/1508). Poderá aceder a outras instituições nacionais através da página "O Bug da Acessibilidade" já referida anteriormente.Conforme ficou demonstrado, existem actualmente inúmeros recursos electrónicos onde é possível encontrar princípios orientadores para o desenvolvimento de conteúdos acessíveis a cidadãos com necessidades especiais.
Nesse contexto, não apresentaremos neste trabalho mais do que alguns princípios gerais que poderão ser levados em consideração pelos autores, numa tentativa de tornar o acesso aos conteúdos da World Wide Web o mais universal possível.
Para um estudo mais aprofundado aconselhamos a consulta ao site da Web Access Initiative (
http://www.w3.org/wai) da responsabilidade do World Wide Web Consortium bem como o Web Access Project (http://www.wgbh.org/wgbh/pages/ncam/currentprojects/wapindex.html), que do nosso ponto de vista são os dois recursos mais importantes a nível mundial neste contexto. Em termos nacionais é fundamental uma visita ao Bug da Acessibilidade (http://www.terravista/Meco/1728/Bug.html).Em termos gerais, tendo como objectivo um bom design Web, devem ser levados em consideração os seguintes cuidados:
Por último, se o que pretendemos apresentar no site não se coaduna de forma alguma com os princípios de acessibilidade aqui apresentados, devemos providenciar páginas alternativas onde essa informação esteja o melhor apresentado possível e acessível a todos.
Gostaríamos agora, através de alguns exemplos, demonstrar o resultados de alguns erros normalmente cometidos no desenvolvimento de conteúdos para a World Wide Web. A forma escolhida para demonstrar como estas falhas ocorrem será feita mostrando a página conforme ela é vista num browser por um cidadão sem necessidades especiais em oposição com a forma como ela será apreendida por um cidadão com necessidades especiais utilizando auxiliares de acessibilidade. Estes exemplos foram adaptados de Examples of Accessible (and Inaccessible) Web Design (
http://www.microsoft.com/enable/dev/web_examples.htm).Exemplo 1 - Todas as imagens devem ter um texto elucidativo no atributo ALT
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Imagem para um Cidadão sem Necessidades Especiais |
Imagem para um Cidadão com Necessidades Especiais |
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Nota: não foi utilizado o atributo ALT |
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Exemplo 2
- Utilização adequada de Image Maps|
Imagem para um Cidadão sem Necessidades Especiais |
Imagem para um Cidadão com Necessidades Especiais |
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Nota: não foi utilizado o atributo ALT, nem adicionados links em texto alterntivos |
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Exemplo 3
- Utilizar links em texto legível isoladamente|
Imagem para um Cidadão sem Necessidades Especiais |
Imagem para um Cidadão com Necessidades Especiais |
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Exemplo 4
- Providenciar alternativas para tabelas e Frames|
Imagem para um Cidadão sem Necessidades Especiais |
Imagem para um Cidadão com Necessidades Especiais |
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Exemplo 5
- Não assumir que as nossas formatações serão visíveis|
Imagem para um Cidadão sem Necessidades Especiais |
Imagem para um Cidadão com Necessidades Especiais |
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